Invade meu coração docemente...
sem que eu perceba, derruba minhas bastilhas
e deixa-me exposta, assim, nua...
despida de todas as defesas,
entregue ao mistério da magia tua...
Desfaz com o toque mais suave
a resistência de meus músculos,
alivia esta pressão em minha nuca
e cobre com teus beijos,
a lassitude que pouco a pouco me domina...

Cativa-me...
Com teus olhos amorosos adentra minh’alma!
percorre meu interior com a calma desse olhar iluminado,
fita-me longamente, em silêncio total...
deixa que eu escute o murmúrio de teu coração...
recebe minha entrega como um ritual

Cativa-me...
Aquieta essa agonia, essa premência,
com tua paz... ensina-me como se faz...
contamina meu coração de serenidade,
e segreda aos meus ouvidos os mais doces versos
de um amor quase divino,
as confissões de um menino,
os desejos do amante, as verdades do amigo,
do irmão, os cochichos tão antigos...

Cativa-me!!
Meus sentimentos com capricho enlaça e cuidadosamente,
sob o manto de tua intimidade
aninha-me nesse laço...
dá-me a confiança há muito roubada
exorciza a insegurança exagerada...

Cativa-me...!
Perde comigo o tempo necessário e me resgata!
Afugenta meus temores,
liberta-me de falsos amores, acorda-me!
Desperta-me do sono que domina
a mulher e a menina...
acorda em mim a alegria esfuziante
dos insensatos amantes...
enfeita o caminho por onde vou passar
com as flores mais bonitas e coloridas fitas...

Cativa-me!!
Tira-me de dentro de mim!!
ensina-me os passos rumo ao infinito
e nesse torpor bendito,
ao meu lado... mansamente...
colhe o fruto semeado,
depois de ter me cativado!!

Sylvia Cohin